domingo, 23 de março de 2008

A Norma Culta

Alô todos.

Vamos promover uma discussão aqui a respeito da chamada norma culta do português. Para isso, precisamos definir primeiramente o que é "norma culta". Alguém pode pesquisar isso e postar aqui nos comentários? Mais uma coisa: alguém pode pesquisar algo sobre "gramática normativa"? Os dois conceitos estão interligados.

Por favor, não copiem e colem passagens longas, só o necessário para esclarecer os conceitos acima. Não esqueçam das referências de onde tiraram as informações. E mantenham esta discussão aqui, não na lista.

Abraço e boa pesquisa.

39 comentários:

Elimar disse...

Ai vai minha pesquisa sobre "Norma Culta".
Norma culta nada mais é do que a modalidade lingüística escolhida pela elite de uma sociedade como modelo de comunicação verbal. É a língua das pessoas escolarizadas. Ela comporta dois padrões: o formal e o coloquial:

· Padrão formal - É o modelo culto utilizado na escrita, que segue rigidamente as regras gramaticais. Essa linguagem é mais elaborada, tanto porque o falante tem mais tempo para se pronunciar de forma refletida como porque a escrita é supervalorizada na nossa cultura. É a história do "vale o que está escrito".
· Padrão coloquial - É a versão oral da língua culta e, por ser mais livre e espontânea, tem um pouco mais de liberdade e está menos presa à rigidez das regras gramaticais. Entretanto, a margem de afastamento dessas regras é estreita e, embora exista, a permissividade com relação às "transgressões" é pequena.

Dicas de Português
www.pulohernandes.pro.br
Acessado em 24/03/08

Elimar disse...

REtificando a referência do site é:
www.paulohernandes.pro.br

Danielle disse...

Norma Culta

"A norma culta da língua portuguesa são regras claras e bem definidas quanto ao padrão de uso da linguagem formal. Utilizada pelas classes intelectuais da sociedade, na forma escrita e, com menor intensidade, também na linguagem oral, uma vez que esta recebe maior influência de hábitos coloquiais na fala dos indivíduos."

Gramática Normativa

"É ela quem dita (oficialmente) a maneira como os usuários da língua devem utilizá-la, tanto na forma oral quanto na forma escrita, para que sejam considerados cidadãos e cidadãs cultos. (...) Em geral a gramática normativa ocupa-se mais com a língua escrita do que com a língua falada chegando, não raramente, a equacioná-las. (...) Portanto, é na gramática normativa que se buscam os parâmetros para definir se a utilização do idioma está, ou não, "correta"."

Norma Culta. Sem Autor. Brasil no Exterior. Obtido em
http://www.brasileirosnoexterior.com/?q=Norma_culta
Acesso em 25 de março de 2008

Gramática Normativa. Sem Autor. Caminhos da Língua. Obtido em
http://www.caminhosdalingua.com/Gramatica.html
Acesso em 25 de março de 2008

Renildo disse...

Definição de Gramática Normativa: É a gramática que dita (oficialmente) a maneira como os usuários da língua devem utilizá-la, tanto na forma escrita como na falada.
Em geral a gramática normativa ocupa-se mais com a língua escrita do que com a falada.

José M. da Silva disse...

Alô todos.

Estou acompanhando as postagens, mas estou achando o pessoal meio "caído"... será que foi o chocolate da Páscoa que cansou todo mundo? :-)

Como já deu para ver pelas poucas postagens que temos aqui, a norma culta está ligada à "elite", às "pessoas escolarizadas". A gramática chamada de normativa "dita (oficialmente) a maneira como os usuários da língua devem utilizá-la". Começamos a perceber, se concluirmos que "norma culta" e "gramática normativa" caminham juntas, que estamos tratando de uma exigência arbitrária que privilegia determinadas regras e usos, primordialmente na versão escrita da língua.

Vou aguardar mais postagens para lançar algumas perguntas sobre esse tema, mas para iniciar uma pequena discussão, no post da Elimar, vemos que o "padrão coloquial" é, por assim, dizer uma parte da norma culta; no post da Danielle, também vemos que a "norma culta" é uma forma também usada na "linguagem oral". Será que é isso mesmo? será que os gramáticos pensam igual nesta área? Alguém poderia pesquisar o assunto em fontes mais "confiáveis" e colocar o resultado aqui para nós?

O que me leva a dois comentários:

(1) Renildo, qual a fonte do seu texto? Ou você mesmo o criou? Não há o menor problema em colocarmos aqui o que já sabemos, mas como estamos estudando como redigir textos acadêmicos, é sempre bom termos também acesso ao que dizem os chamados "grandes autores".

(2) Danielle (e todos), já comentei isso aqui e/ou na lista, mas vamos de novo. É preciso muito cuidado com a pesquisa na Web. Em trabalhos acadêmicos (nosso caso aqui), precisamos TER CERTEZA de que os sites consultados contêm informações precisas, atualizadas e confiáveis. Minha pergunta, após acessar o site que a Danielle aponta, é: será que esse site pode ser confiável do ponto de vista científico? A parte "brasileirosnoexterior.com" não me inspira muita confiança científica; impressão confirmada após visita ao site.

Lembro a todos: não basta "googlar" um termo e sair visitando sites e se dar por satisfeito com o fato de se ter encontrado algo sobre o tema. Pesquisa é algo profundo, demorado e que exige habilidade... E não se esqueçam dos livros e artigos impressos; nem todos estão digitalizados... ainda é preciso freqüentar bibliotecas, livrarias, sebos...

Abraço,

ELVIS EDUARDO disse...

Gramática Normativa - Para o Dicionário Aurélio é o livro onde se expoem as regras da linguagem.
Para os autores: José de Nicola e Ulisses Infante, um instrumento de interpretação do mundo.

26 de março de 2008 22:10

ELVIS EDUARDO disse...

Norma Culta -
" Defino como a base de instrução para todas as pessoas organizadas socialmente. É também instrumento de medida indicador de níveis sócio-cultural, que definirá as diferentes classes sociais."

Fonte:
Conhecimento pessoal por meio de vivências e comentários deste blog.

25 de março de 2008 às 22:27h

ELVIS EDUARDO disse...

Esqueci de escrever a fonte do meu comentário a respeito de Gramática Normativa. Aqui está:
Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa.9 edição. Editora Scipione.

Aline disse...

Gramática Normativa.

A gramática normativa que dita (oficialmente) a maneira como os usuários da língua devem utilizá-la, tanto na forma oral quanto na forma escrita, para que sejam considerados cidadãos e cidadãs cultos. Devemos entretanto, estar atentos ao fato de que a forma culta da língua representa apenas uma de suas variantes.
Em geral a gramática normativa ocupa-se mais com a língua escrita do que com a língua falada chegando não raramente a equacioná-las.
Portanto, é na gramática normativa que se buscam os parâmetros para definir se a utilização do idioma está , ou não, "correta".

Fonte:
www.caminhosdalingua.com/gramatica.html
Acesso em 26/03/2008.

Danielle disse...

Professor, concordo quando diz que certas fontes não são confiáveis. No entanto quando encontro algo em um site como o Wikipedia e afins, leio para ter certeza se o que está escrito condiz com outras pesquisas e fontes. No caso do Brasileiros no Exterior, foi uma questão de escolha pessoal, pois também encontrei o assunto em outros sites, como o da ELB (Enciclopédia das Línguas no Brasil), que é desenvolvido por alunos e professores da Unicamp.

Então, vamos melhorar:

Norma Culta

"Dentre as variedades do português do Brasil, goza de prestígio e é tomado como norma, como padrão, o português usado pelo segmento da população que tem bastante escolaridade – o português culto. É a chamada “norma culta”. É essa variedade que é ensinada na escola, que é usada nos documentos oficiais e em livros, jornais, revistas, televisão e rádio."


Tenho uma dúvida em relação à referência que esclarecerei por e-mail, mas por hora segue esta:

Norma Culta. ELB. Obtido em
http://www.labeurb.unicamp.br/elb/portugues/portugues_
variacao.htm
Acesso em 26 de março de 2008.

Isat disse...

ALICIA Fonseca

Norma culta trata-se da linguagem que é utilizada e doutrinada nas instituições educativas.

“"Norma Culta" é uma expressão empregada pelos lingüistas brasileiros para designar o conjunto de variedades lingüísticas efetivamente faladas, na vida cotidiana, pelos falantes cultos, sendo assim classificados os cidadãos nascidos e criados em zona urbana e com grau de instrução superior completo.”

Norma Culta. Sem Autor. Obtido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Norma_culta Acesso em [25-03-08]

A Gramática Normativa trata-se da gramática que descreve as regras para utilização da Norma culta de uma língua.
“Chama-se gramática normativa a gramática que busca ditar, ou prescrever, as regras gramaticais de uma língua, posicionando as suas prescrições como a única "forma correta" de realização da língua, categorizando as outras formas possíveis como "erradas".”
Norma Culta. Sem Autor. Obtido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Norma_culta Acesso em [25-03-08]

Observando tais definições concluo que a Norma Culta baseia-se na Gramática Normativa, logo o domínio da Norma Culta de uma língua depende do domínio da Gramática Normativa da Mesmo. Isto que determina a ligação destes dois termos.

*Deiviane* disse...

"A norma culta também é uma forma usada na linguagem oral", pois adequamos a forma de falar através de cada situação.

Por exemplo: quando falamos com o diretor de uma empresa; não nos referimos da mesma forma que tratamos igual a um irmão ou colega de escola.

Renildo disse...

oi, professor, aqui estar a referência:http://www.caminhosdalingua.com/Gramatica.html-34k

Emmanuele disse...

Bem sabemos que a língua desempenha importante papel importante social. Reconhecemos, muitas vezes, a condição social de uma pessoa pela maneira de falar. Assim há um conjunto de regras que é preciso respeitar, para se falar dentro de um padrão lingüístico. Esse conjunto de regras é chamado de "norma culta" ,o que Mattoso define como" conjunto de hábitos lingüísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa do País".
Fonte:
RIBEIRO, ManoelP. Nova Gramática Aplicada da Língua Portuguesa.15ªedição, Rio de Janeiro, 2005.Editora Metafora

Gramática Normativa
Segundo o dicionário Houaiss a palavra grámatica significa "conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada".
Já a gramática Normativa seria aquela" que tem por objetivo estabelecer normas de uso de uma língua e determinar o que não se deve usar, e que, do conjunto total dos fatos de uma língua, considera apenas aqueles que são tidos como a expressão do bem falar e bem escrever, entendendo por isto a variante lingüística das pessoas cultas e dos bons escritores (...)"
Fonte:
HOUAISS, Antônio.Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa on-line,2001.

José M. da Silva disse...

Alô todos...

Muito bons os comentários... alto nível.

A Alicia levantou algo importante: "Norma culta trata-se da linguagem que é utilizada e doutrinada nas instituições educativas."

O termo "doutrinada", embora forte, é verdadeiro. A Escola é o lugar por excelência onde se "ensina" a norma culta. Daí passa à universidade, aos textos acadêmicos...

Outro comentário muito bom foi da Deiviane: "A norma culta também é uma forma usada na linguagem oral, pois adequamos a forma de falar através de cada situação. Por exemplo: quando falamos com o diretor de uma empresa; não nos referimos da mesma forma que tratamos igual a um irmão ou colega de escola."

Pura verdade. Normalmente regulamos nosso registro (esse é um termo da lingüística; alguém quer pesquisar e colocar o resultado aqui?), adaptando o modo como falamos à pessoa com quem falamos e o mesmo acontece na escrita. A Emmanuele retoma esse tema:

"Bem sabemos que a língua desempenha importante papel importante social. Reconhecemos, muitas vezes, a condição social de uma pessoa pela maneira de falar."

E por isso, a Escola e as pessoas ditas "cultas" tentam impor o uso da norma culta, que a Emmanuele define bem com Mattoso:

"Esse conjunto de regras é chamado de "norma culta" ,o que Mattoso define como" conjunto de hábitos lingüísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa do País"."

Classe mais prestigiosa. De novo o social, mais precisamente a condição social. E a Emmanuele explica melhor ainda:

"(...) entendendo por isto a variante lingüística das pessoas cultas e dos bons escritores."

O problema que se tem muitas vezes é justamente esse: quem são as pessoas cultas e os "bons" escritores que ditarão as regras da norma culta? O que é um "bom" escritor?

Outro problema que surge algumas vezes é quanto à validade de se ensinar somente a norma culta nas escolas, nas universidades...

Alguém quer continuar a discussão a partir de meus dois últimos parágrafos acima?

Abraço,

~° Karina Reis °~ disse...

A realidade da situação educacional no Brasil se reflete na comunicação corporativa. O que vemos são "modelos" de comunicação escrita já formatados e que são simplesmente "adotados" pelos seus profissionais, sem muita preocupação em melhorá-los.
E isso acontece porque quando alguém faz uma tentativa de mudar o curso da história, vem logo o desestímulo por parte do topo das empresas, sob a alegação de que "é assim que fazemos".
Quando há a oportunidade de mudar, vem comentários como "mas será que assim não fica muito impessoal, muito sem alma, muito seco e sem sentimento?", "será que o leitor não vai se sentir agredido pela frieza da comunicação?"..., como se a comunicação organizacional dependesse disso para se realizar, em um ambiente onde os sentimentos circulam mas não dignificam e raramente promovem
Mas sempre é possível tentar mudar essa situação. Ao mostrar que o texto pode ficar melhor, escrevendo desta ou daquela maneira, transmitindo as idéias com clareza, há a oportunidade de virar o jogo, sair da mesmice, experimentar dizer a mesma coisa, só que de um jeito diferente, que só você sabe fazer. Isto sim, é que chamamos de personalizar o texto.
A forma como você escreve denota o seu cuidado na escolha das palavras, o tom com que você transmite é capaz de sensibilizar o leitor e a clareza com que você o faz transmite exatamente o que você quer dizer. E isso faz toda a diferença na comunicação escrita.
Fonte: http://www.portugues.com.br/art4.htm

Aline disse...

Norma Culta

O padrão de língua ideal a que as pessoas querem chegar é aquele convencionalmente utilizado nas instâncias públicas de uso da linguagem, como livros, revistas, documentos, jornais, textos científicos e publicações oficiais; em suma, é a que circula nos meios de comunicação, no âmbito oficial, nas esferas de pesquisa e trabalhos acadêmicos.

Fonte:
www.kplus.cosmo.com.br/materia.asp?co=215&rv=Gramatica
Acesso em 26/03/08

Isis disse...

Definição de norma culta: Pauta-se pelos preceitos vigentes da gramática normativa e caracteriza-se pelo apuro da forma e a riqueza lexical. É ensinada nas escolas e serve de veículo às ciências, nas quais se apresenta com terminologias típicas. Mais artificial do que espontânea, dela se servem os poetas e escritores em suas obras artísticas.

Fonte: CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. Editora Nacional. 1995.São Paulo, SP.

E quanto à Gramática Normativa eu encontrei a seguinte definição por Rocha Lima: "É uma disciplina, didática por excelência, que tem por finalidade codificar o uso idiomático, dele induzindo, por classificação e sistematização, as normas que, em determinada época, representam o ideal da expressão correta. Fundamentam-se as regras da Gramática Normativa nas obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas põem o seu ideal de perfeição, porque nela é que se espelha o que o uso idiomático estabilizou e consagrou. A Gramática Normativa examina a língua como sistema de meios de expressão, sem levar em conta a sua utilização imediata como código de bem falar e escrever."

Fonte: LIMA, Rocha. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Editora José Olympio. 2000. RJ.

José M. da Silva disse...

Alô.

Alguns comentários sobre os últimos posts.

No post da Aline, vemos alguns pontos interessantes: "padrão de língua ideal", "aquele convencionalmente utilizado", "instâncias públicas de uso da linguagem", "livros, revistas, documentos, jornais, textos científicos e publicações oficiais", "âmbito oficial", "esferas de pesquisa e trabalhos acadêmicos".

É isso mesmo: tudo se resume a uma "convenção" estabelecida e que precisa ser seguida dentro de algumas esferas. Eu só retiraria o trecho "que circula nos meios de comunicação"; nem todos os meios de comunicação se encaixam na definição de norma culta. Aliás, não consegui abrir o site que a Aline coloca como referência e, mais uma vez, não me impressiona muito o "kplus", especialmente por ser "com.br". Enfim...

O post da Karina também é muito interessante, pois aborda a situação do meio corporativo (leia-se empresas): "o que vemos são 'modelos' de comunicação escrita já formatados e que são simplesmente 'adotados' pelos seus profissionais, sem muita preocupação em melhorá-los."

É fato. Vejo no meio corporativo, devido à cobrança da mídia (uma parte dela) e dos clientes (que nem sempre entendem de língua portuguesa), uma preocupação grande com relação à utilização da norma culta do português. O problema é que nem sempre a norma culta será adequada a toda e qualquer situação corporativa.

Entendo perfeitamente a necessidade de se escrever com "correção" em algumas instâncias corporativas (documentos que vão para os clientes, relatórios, tudo que ficar visível no website, comunicações para o governo, etc.), mas em muitas situações, a preocupação, a meu ver, é exagerada. Como, aliás, aponta a Aline:

"Quando há a oportunidade de mudar, vem comentários como "mas será que assim não fica muito impessoal, muito sem alma, muito seco e sem sentimento?", "será que o leitor não vai se sentir agredido pela frieza da comunicação?"...,"

Só que aqui eu vejo outra coisa e não exatamente a questão de "mudar". Vejo abordagens subjetivas em relação à língua: seco? impessoal? sem sentimento? frieza? Isso tudo é muito subjetivo e é aí que falta, tanto nos empresários, quanto nos funcionários (o segundo causado pelo primeiro), o conhecimento mais aprofundado da língua.

Sei de empresas que contratam "gramáticos profissionais" para baterem na tecla da norma culta, do nacionalismo, da tradição da língua portuguesa (ou de sua defesa), da guerra sem tréguas ao gerundismo, mas não investem em pontos, em minha opínião muito mais importantes, como por exemplo ensinar como retirar as subjetividades apontadas acima, tornando um texto neutro, nem impessoal, nem pessoal demais; não investem em ensinar coesão e coerência, perdendo-se meramente em regrinhas gramaticais do tipo "diga isso, não aquilo". Claro que isso também é importante, mas acho que fica faltando mais "sustância".

Bem, agora gostaria de ouvir os colegas sobre os temas que mencionei em minha mensagem anterior, especificamente a questão de "quem define o que é correto" e a questão da "validade e importância da norma culta".

Aqui acho que vale a opinião de cada um, em vista do que vem sendo discutido aqui e na lista; não há necessidade primordial de referências e muita pesquisa. O que vocês acham deste tema enquanto alunos, escritores, professores, prestadores de serviço?

Vamos lá: o debate está aberto.

Abraço,

flavio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
flavio disse...

Sobre a validade e importância da norma culta: adequação é a palavra-chave. Vivemos num mundo onde a norma culta nos é cobrada, e esse fato influi na vida das pessoas; entre outras coisas, define quem tem mais oportunidades ou não. É importante ensinar a norma culta sim, mas não se pode perder de vista que essa norma é apenas umas das existentes, nem melhor nem pior, até porque a definição do que é certo ou errado na língua é subjetiva e muda com o tempo. A própria língua portuguesa veio de latim vulgar, dos "erros" dos incultos romanos vieram grande maioria das palavras "corretas" de nosso idioma. Deve-se dar a todos a oportunidade de saber usar na sua língua a variedade adequada às diversas situações enfrentadas, e estar atentos a questões de preconceito lingüístico.

andréa de castro - isat disse...

Comentário: É a manaeira correta de um povo se comunicar através de regras gramaticais.

"Mas o que vem a ser gramática?

Segundo o dicionário Houaiss, quer dizer "conjunto de prescrições e regras que determinam o uso considerado correto da língua escrita e falada ". Em outras palavras, gramática é o conjunto de leis que regem a língua de um povo. Nesse contexto, há, lingüisticamente falando, dois tipos de gramática: a que vem da cultura, do ambiente social do povo, que não se prende às regras, mas vem do ambiente em que o falante desenvolve suas atividades diárias de comunicação e expressão, que é chamada de gramática descritiva.(...)O outro tipo, que é cheio de regras, nas quais se baseia a variedade padrão da língua, também chamada de norma culta, é a gramática normativa. Esse último é que é a base das provas de língua portuguesa de concursos.Também é o tipo adotado e explicado nas gramáticas e ensinado nas escolas. Aqui, sim, cabe uma preocupação quanto ao que é certo ou errado dentro do campo da comunicação pelo seu caráter totalmente pedagógico, pois agora há um respaldo de renomados escritores de nossa literatura e de dicionaristas esclarecidos, segundo afirmou Bechara em sua Gramática Escolar da Língua Portuguesa. Prof. Luiz Mesquita (Lewry)"
Fonte: Brasil escola
http://www.brasilescola.com/portugues/lingua-portuguesa.htm

Claudiane disse...

Norma culta:
é a variedade lingüística de maior prestígio social; é o conjunto de regras utilizadas por um povo ditas como o português correto.

"Linguagem culta trata-se de uma linguagem mais formal, que segue os píncípios da gramática normativa. É empregada na escola, no trabalho, nos jornais e nos livros em geral."

"Gramática normativa estabelece as regras a serem seguidas por todos aqueles que querem 'falar e escrever corretamente'."

"Dominar uma língua, portanto, não significa apenas conhecer normas gramaticais, mas sobretudo empregar adequadamente essa língua em várias situações do dia-a-dia."

Referência:
FARACO, Carlos Emílio, MOURA, Francisco Marto. Língua e Literatura. São Paulo, Editora Ática, 1998.

Isis disse...

Também concordo com o Flávio quando ele fala da adequação até mesmo por uma questão de mostrar um certo poder lingüístico pelo falante e por conseqüência ser ouvido e tratado de maneira diferente. Estar em contato com a norma culta não é apenas um aspecto cultural. Trata-se, principalmente, de uma questão de prestígio social. Num país em que, historicamente, as desigualdades sociais se perpetuam, dominar o padrão culto da língua é ser detentor de um poderoso instrumento, senão de ascensão pelo menos de imposição de respeito frente a uma interlocução dominadora (elite). E pelo que tenho lido aqui nas discussões e em sites que tenho pesquisado, para mim são os gramáticos normativos e a a elite ou classe social com maior prestígio que definem o que é o certo ou errado. E uma dúvida a comunidade interpretativa teria alguma coisa a ver com a definição de norma culta?

José M. da Silva disse...

Alô todos.

Gostei da discussão sobre a norma culta no final. Para esquentar, tenho alguns comentários.

Flavio e Isis abordaram muito bem a questão.

Flavio diz: "Vivemos num mundo onde a norma culta nos é cobrada (...) mas não se pode perder de vista que essa norma é apenas umas das existentes, nem melhor nem pior, até porque a definição do que é certo ou errado na língua é subjetiva e muda com o tempo."

Isso mesmo, Flavio. O problema é que sem transitarmos MUITO bem na norma culta, na maioria das situações (não são todas) teremos problemas. No meio acadêmico a coisa fica ainda pior. Por isso estamos aqui.

Esse ponto a Isis resolveu muito bem: "Estar em contato com a norma culta não é apenas um aspecto cultural. Trata-se, principalmente, de uma questão de prestígio social."

A palavra mágica aqui é realmente essa: prestígio; social, acadêmico, político, econômico, tudo. Concordando ou não, somos obrigados a seguir a norma culta da língua para termos acesso a degraus mais altos na sociedade e na academia.

Quanto à pergunta da Isis, "E uma dúvida a comunidade interpretativa teria alguma coisa a ver com a definição de norma culta?", o que você entende especificamente por "comunidade interpretativa"? Explique isso melhor e a gente continua a conversa.

Mais alguém para continuar a discussão?

EM TEMPO:
1. Claudiane, falta um "&" na sua referência, além de itálico no título; deveria estar assim:

FARACO, Carlos Emílio & MOURA, Francisco Marto. Língua e Literatura. São Paulo, Editora Ática, 1998.

2. Andréa, sua referência não está na forma correta; releia nossas discussões anteriores.

Abraço,

Andréa de Castro - ISAT disse...

Correção da referência da fonte:

Fonte: Brasil escola
http://www.brasilescola.com/portugues/lingua-portuguesa.htm
Acesso em 28/03/2008.

José M. da Silva disse...

Andréa e todos:

por favor revise tudo que dissemos sobre referências.

No site que você indicou, o artigo é assinado pelo Prof. Luiz Mesquita, ou seja, o texto que você copiou e colou tem autoria. Além disso, tem título, embora não explicitamente (pode ser "Língua Portuguesa", como está bem acima na página, ou "Mas o que vem a ser gramática", possivelmente um subtítulo do artigo). E falta o obtido em e a data de acesso. Ficaria assim (as aspas aparecem por não se tratar de livro):

Mesquita, Luiz. "Mas o que vem a ser gramática?" Obtido em (http://www.brasilescola.com/portugues/lingua-portuguesa.htm). Acesso em 31 de março de 2008.

Num texto acadêmico saber fazer a referência correta é ESSENCIAL.

Abraço,

Louise Santos disse...

Bom, norma culta é a forma preconizada pelas escolas, instituições de ensino em geral e também apresenta maior prestígio social.

Louise Santos disse...

A referência foi extraída de:
SARMENTO, Leila Lauar
Português:literatura,gramática, produção de textos:volume único/ Leila Lauar Sarmento, Douglas Tufano. - São Paulo:Moderna, 2004.

andréa de castro disse...

Nova correção sobre referência conforme orientação de Zé:

Ficaria assim (as aspas aparecem por não se tratar de livro):

Mesquita, Luiz. "Mas o que vem a ser gramática?" Obtido em (http://www.brasilescola.com/portugues/lingua-portuguesa.htm). Acesso em 31 de março de 2008.

andréa de castro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
andréa de castro disse...

Eu acredito que para se conhecer a norma gramatical não é somente para alcançar posição social, mas para melhor comunicação entre os indivíduos com mais qualidade. Afinal, a comunicação se torna mais clara, objetiva e com precisão. É interessante notar que o Estado não se interessa em melhorar a qualidade do ensino básico até o ensino médio para dificultar e manipular a troca de informações entre a população, pois é através da comunicação oral e escrita com mais qualidade que as pessoas conseguem exigir direitos e melhorias na sociedade em que vive.

Abraços,
Andréa

Isis disse...

A comunidade interpretativa está relacionada a um sistema ou contexto capaz de produzir o consenso em torno da escolha da interpretação a ser atribuída a um enunciado ou conjunto de enunciados. E então teria alguma relação ou não com a norma culta?

E-Dicionário de Termos Literários.

Obtido em: http://64.233.167.104/search?q=cache:_aKu89pBM9IJ:www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/C/comunidade_interpretativa.htm+comunidade+interpretativa&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=4&gl=br Acesso em: 3 de abril de 2008.

José M. da Silva disse...

Alô todos.

Bem, eu acho que está na hora de nova postagem; esta parece que o pessoal já discutiu bastante. No entanto, umas últimas considerações.

Isis, eu sabia o que era; só queria que você pesquisasse um pouquinho mais e explicasse o que disse para todos entenderem...:-) Aliás, pessoal, dêem uma olhada no site que a Isis indicou. Muito bom.

Em tese a comunidade interpretativa tem a ver com a norma culta, na prática não. Comunidade interpretativa, até pelo link que você enviou, está mais ligada a uma comunidade de especialidade, ou seja, uma comunidade técnica. Isso é muito restrito a um pequeno grupo de pessoas e dificilmente este grupo terá "força" para mexer na norma culta.

Por outro lado, a comunidade de falantes de uma língua, de modo geral, ou seja, os falantes de uma língua, podem ser compreendidos como uma comunidade interpretativa também. E, desde Saussure, sabemos que o falante pode acabar por mudar a "língua/langue", em nosso caso, a norma, mais precisamente, a norma culta. Algumas coisas que a norma culta considerava erro hoje são aceitas como corretas, até pelos grandes gramáticos.

Infelizmente, isso é muito pouco. Em outras palavras: é difícil mudar a norma culta e, por isso, ou aprendemos a utilizá-la, ou ficamos à parte.

Alguém tem algo mais a dizer sobre isso? Amanhã terá coisa nova aqui.

Abraço,

Renildo disse...

Oi, Deiviane que tipo de texto você predente trabalhar na sala de aula?

Renildo disse...

Oi, Karina
Qual a relevância da inclusão do estrangerismo na lingua portuguêsa?

ELVIS EDUARDO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ELVIS EDUARDO disse...

Roberta achei super interessante seu tema "o espaço do surdo na sociedade". Já fiz o curso de linguagem de sinais (LIBRAS) e sei do quanto os surdos no Brasil são excluídos socialmente, assim como os deficientes visuais etc. Creio que qualquer tipo de conhecimento a esse respeito, tornando-o mais próximo e real, como também alguma ação individual ou possíveis formas para inclusão social deles, será de muita valia.
Boa sorte e grande abraço.

andréa de castro disse...

Eu também gostei muito sobre esse tema da Roberta: "O espaço do surdo na sociedade".
Tem correlações com o tema que eu escolhi, pois as pessoas surdas também devem participar realmente da sociedade em que vivem, tendo em vista a efetivação de seus direitos.

Abraços à todos,
Andréa de Castro